10. CULTURA 24.10.12

1. GARRANCHOS RACIAIS DE GRACILIANO RAMOS
2. FAZENDA 40 GRAUS
3. O HORROR ANIMADO DE TIM BURTON
4. EM CARTAZ  CINEMA - ONZE PERSONAGENS E UM ATOR
5. EM CARTAZ  LIVROS - UM NOVO OLHAR SOBRE OS EUA
6. EM CARTAZ  FOTOGRAFIA - SONHOS EM PRETO E BRANCO
7. EM CARTAZ  SHOWS - A PASSAGEM DO ZEPPELIN
8. EM CARTAZ  MSICA - AMOR COR DE ROSA
9. EM CARTAZ  AGENDA - KEITH JARRETT/ORQUESTRA PETROBRAS/61+46+17
10. ARTES VISUAIS - NOVO CAPTULO DA HISTRIA
11. ARTES VISUAIS  ROTEIROS - RENASCIMENTO GRFICO

1. GARRANCHOS RACIAIS DE GRACILIANO RAMOS
Em compilao de textos inditos e polmicos, o autor alagoano questiona a miscigenao na cultura brasileira e critica o comportamento dos mulatos
Ivan Claudio

 PROVOCATIVO - Graciliano Ramos achava a lngua do Nordeste pobre: dialeto horrvel para a escrita
 
Pensamentos e vises de mundo tm como limite o horizonte cultural de sua poca. Por isso, no so eternos, mudam. O perigo, ao se fazer uma leitura contempornea das ideias tornadas pblicas por um autor no passado,  esquecer que o contexto em que ele opinou sobre determinado assunto era outro. Aps a polmica em torno do possvel racismo de Monteiro Lobato, um risco semelhante paira agora sobre outro escritor, entre os menos visados: o alagoano Graciliano Ramos, cuja obra sempre se pautou pela denncia e pelo combate das mazelas sociais. A pretexto da comemorao de seus 120 anos de nascimento, no sbado 27, chega s livrarias uma compilao de textos pouco divulgados de sua autoria, alguns nunca vindos a pblico. Entre os 81 contos, discursos, cartas, crnicas, epigramas e ensaios de Garranchos  Achados Inditos de Graciliano Ramos (Record), aparece o curto estudo O Negro no Brasil, datado do final dos anos 1930. Ao assumir a defesa dos negros, Graciliano desanca o mulato, pintado como traidor das origens. Condena o seu embranquecimento e estende a pena ferina tambm aos ndios: Quando no se julgavam suficientemente clareados, os mulatos sempre se disseram caboclos, descendentes de uma raa de civilizao inferior  de seus pais, mas que no tinha suportado a escravido. Numa poca em que a mania nacionalista fazia toda a gente se orgulhar de ter sangue ndio, isso os aproximava dos brancos. 
A leitura atenta desse ensaio, contudo, alinha elementos de sobra contra a acusao apressada de racismo por parte do autor de Vidas Secas e Memrias do Crcere. Esse  o limite de nossa poca politicamente correta: grandes polemistas como Graciliano ou frteis ficcionistas como Lobato so hoje lidos com a lupa paranoica do policiamento. Organizador do livro, o doutor em letras Thiago Mio Salla, que passou sete anos folheando jornais empoeirados e pesquisando em mais de dez instituies do Pas, sabia desse risco e, por isso, escreveu 13 esclarecedoras notas de rodap. Trata-se de um texto polmico, com afirmaes contundentes para os dias de hoje.

Ele precisa ser lido com todo critrio para que no se cometam equvocos de avaliao, diz Salla. Segundo ele, escritos como esse e outros produzidos durante a militncia poltica de Graciliano no Partido Comunista Brasileiro revelam um intelectual atuante, que toma partido e no foge  luta ao se defrontar com as principais questes literrias e sociais de seu tempo. Ou seja: so uma afirmao de sua voz no grande dilogo nacional  e a situao do negro estava na ordem do dia com a publicao de Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre.

A veia mordaz do polemista  mais enftica na crtica literria, quando sai em defesa do romance de 30, de tendncia regionalista. O modelo  o de Jorge Amado e Jos Lins do Rego, que abandonaram os sales e as florestas de pano pintado e foram ver como se comportavam os trabalhadores do eito, os presos, os retirantes, os vagabundos, os criminosos, as prostitutas, os funcionrios pblicos e as crianas das escolas. Apesar disso, Graciliano votou contra Joo Guimares Rosa em um concurso literrio  o romancista mineiro concorria com o livro de contos Sagarana, sob o pseudnimo de Viator. Mas reconheceu-lhe mritos: Ele  um animalista notvel. Certo os seus animais so criaturas humanas, como os de numerosos escritores que se ocupam de bichos falantes e pensantes.

Alm de um conto da juventude (O Ladro) e de uma pea de teatro inacabada (Ideias Novas), a ttulo de curiosidade o livro traz comunicados da Associao Brasileira de Escritores, que o escritor presidiu no final da carreira, como o que condena a guerra bacteriolgica dos EUA contra a Coreia. Ainda assim,  um garrancho que de mal escrito no tem nada.


2. FAZENDA 40 GRAUS
Com Rodrigo Faro no comando, o reality show da Record ganha novas regras e promete aquecer a audincia
Marcos Diego Nogueira

 NA PISCINA - Rodrigo Faro (ao centro) na rea de lazer do programa: mais interao
 
De olho na mudana de hbitos dos espectadores durante o final de ano, a Rede Record larga na frente e estreia na segunda-feira 29 um novo reality show voltado para o pblico jovem: Fazenda de Vero. O nome no engana: trata-se de uma verso bombada de A Fazenda, mas com regras bem diferentes. A comear pelos participantes. Se nas cinco edies anteriores eram os famosos que ficavam confinados para disputar um prmio de R$ 2 milhes, agora sero 16 annimos (selecionados entre 20 mil inscritos) brigando pela metade desse valor. A casa em Itu, interior de So Paulo,  a mesma onde aconteceram as competies passadas e sediar a sexta rodada do programa original, em meados do ano que vem  afastam-se assim os boatos de que a atrao estaria sendo remodelada por conta dos ndices de audincia abaixo da mdia. O que estamos fazendo agora  um novo reality dentro do gnero confinamento, diz o diretor-geral Rodrigo Carelli.

A grande mudana, no entanto, acontece no comando. No posto ocupado por Britto Jnior, entra o apresentador Rodrigo Faro, mais uma prova de que o ator, tambm  frente de O Melhor do Brasil,  o nome quente na emissora . Vamos buscar uma maior interao com os participantes, diz Faro, que estar em Itu todas as teras e quintas-feiras comandando as provas e eliminaes. Segundo Carelli, a escalao de um novo ncora responde  necessidade de identificar a atrao como indita e refora o seu tom irreverente: Rodrigo combina bem com a jovialidade que queremos imprimir. O que obrigou a uma repaginada de todo o cenrio. O estbulo dos animais de grande porte, onde acontece a maior parte das provas de A Fazenda, deu lugar  piscina, ambiente central do programa que, nesse ponto, se assemelha ao Big Brother Brasil da Rede Globo. Carelli rebate: Na eliminao semanal, a pergunta no ser quem voc quer que saia, mas sim quem voc quer que fique na fazenda. O que dar uma outra dinmica  disputa.


3. O HORROR ANIMADO DE TIM BURTON
Com "Frankenweenie", o mestre do humor sombrio assina uma animao mais adulta que ousa em todos os aspectos: foi filmada em preto e branco, finalizada em 3D e assusta em vez de encantar
Marcos Diego Nogueira

O sonho de todo cineasta com ambies autorais  que o seu nome vire um adjetivo, a exemplo de mestres do passado como Federico Fellini ou Ingmar Bergman. Uma mulher possui aparncia voluptuosa e excntrica? Ah,  felliniana. Algum anda muito sorumbtico? Est um pouco bergmaniano. Aps quatro dcadas assinando histrias bizarras, o cineasta americano Tim Burton acumulou prmios, grandes bilheterias e ganhou um estilo que nos EUA vem sendo chamado de burtonesque (mistura de Burton e grotesco). Essa assinatura tpica est presente tambm na animao Frankenweenie (em cartaz nacional na sexta-feira 2), provando que a combinao do humor sombrio com toques de ousadia cinematogrfica  perfeitamente possvel nesse gnero mais afeito s histrias coloridas. Esto l os seus costumeiros personagens de fisionomia estranha que, por conviverem com dilemas existenciais e estarem sempre em briga com a humanidade, mostram-se cativantes aos olhos do pblico, mesmo o infantojuvenil. H tambm o uso da tcnica primitiva do stop-motion (quadro a quadro), que tem em Burton um dos raros entusiastas nos dias de hoje  ele a utilizou em A Noiva Cadver e O Estranho Mundo de Jack.

BICHOS SOLTOS - Experincias frustradas enchem a cidade de animais estranhos
 
Se a inteno era fazer uma homenagem ao terror gtico Frankenstein, clssico dos anos 1930, ela no estaria completa se no fosse filmada em preto e branco. Burton no s rodou Frankenweenie nessa pelcula como ousou mais e utilizou a tecnologia 3D na finalizao. A combinao inusitada confere um ar mrbido e futurista  histria do garoto Victor Frankenstein, que, aps a morte inesperada de seu co Sparky, consegue ressuscit-lo por meio de descargas eltricas. O que era para ser uma experincia caseira torna-se objeto de inveja de seus colegas de classe: numa competio na feira de cincias, a garotada perde o controle em seus experimentos malucos e espalha estranhas criaturas pelas ruas da pequena cidade de New Holand.

A ideia original do filme  antiga. Essa mesma histria j foi contada por Burton e pelo roteirista Leonard Ripps no curta-metragem de mesmo nome, em 1984. Curiosamente, por causa dessa produo, o diretor foi demitido da Disney sob o argumento de que estava gastando tempo e dinheiro em trabalhos que a companhia considerava assustadores para serem consumidos por toda a famlia.

FBRICA DE BONECOS - Tim Burton usou mais de 200 miniaturas nas filmagens
 
Passados 28 anos, e novamente companheiro de empresa de Mickey Mouse, Burton prova que estava no caminho certo. Junto com a estreia de Frankenweenie chegaram recentemente aos cinemas duas animaes de horror tributrias do adjetivo burtonesque: Paranorman e Hotel Transilvnia. A influncia  identificvel de cara. O primeiro fala de um menino que consegue se comunicar com os mortos; o segundo trata de um resort para monstros cansados de assustar humanos. Mais ambicioso que os seus seguidores, Burton gastou dois anos para finalizar Frankenweenie, liderando uma equipe de 33 profissionais voltados exclusivamente para criar os movimentos de mais de 200 bonecos (desses, 18 eram Victors e 15, Sparkys). A tarefa seria menos penosa no fossem eles to liliputianos  mediam em torno de 10 cm. A constante manipulao das miniaturas obrigou a produo a criar at um hospital especializado onde 150 modeladores consertavam membros, ajeitavam cabelos, reparavam a pele e emendavam figurinos que sujavam ou rasgavam nas filmagens. Tudo isso fez com que o longa-metragem custasse 40 vezes mais do que a sua primeira verso, orada em US$ 1 milho. Valor que a Disney, dessa vez, gastou sem reclamar.  


4. EM CARTAZ  CINEMA - ONZE PERSONAGENS E UM ATOR 

H 13 anos sem lanar um longa-metragem, o enfant terrible do cinema francs Leos Carax teve tempo suficiente para imaginar boas histrias e agora as rene no filme em episdios "Holy Motors"
por Ivan Claudio

H 13 anos sem lanar um longa-metragem, o enfant terrible do cinema francs Leos Carax teve tempo suficiente para imaginar boas histrias e agora as rene no filme em episdios Holy Motors, em cartaz no Rio de Janeiro. A bordo de uma limusine, o empresrio M. Oscar (Denis Lavant) passa o dia mantendo encontros em Paris e em cada um deles assume um personagem diferente: um maluco que sequestra uma top model, um pai que censura a filha adolescente por ela no ser sensual, um matador no encalo de seu prprio duplo, um homem no leito de morte, e assim por diante, num emaranhado absurdo de situaes. O que poderia ser uma colagem disparatada revela-se, no entanto, extremamente sedutora. Ao final, v-se que o diretor est discutindo os caminhos do cinema contemporneo e a sujeio das pessoas ao mundo virtual.
 
+5 filmes de Leos Carax
Boy Meets Girl 
Um aspirante a cineasta abandonado pela namorada tenta superar a perda se envolvendo com uma atriz de comerciais
 
Sangue Ruim 
Dois criminosos so contratados para roubar a frmula de um remdio que curaria uma doena rara
 
Os Amantes da Pont Neuf
 A histria de amor entre dois mendigos: um ex-artista de circo e uma pintora que est ficando cega
 
Pola X
 Um escritor v a sua vida transformada ao encontrar uma mulher misteriosa que diz ser sua irm desconhecida
 
Tokyo
 Carax  o autor de um dos trs episdios desse filme passado em Tquio, com o desagradvel personagem chamado Merde

5. EM CARTAZ  LIVROS - UM NOVO OLHAR SOBRE OS EUA 
por Ivan Claudio
Dono de uma curta produo, o cultuado escritor americano David Foster Wallace  conhecido pelo romance Infinite Jest (sai no Brasil em 2013). Seu estilo irnico e experimental domina a antologia de no fico Ficando Longe do Fato de J Estar Meio que Longe de Tudo (Companhia das Letras). Em textos jornalsticos como a crnica sobre o tenista Roger Federer ou a descrio de uma feira agrcola, ele revela seu lado mais acessvel.


6. EM CARTAZ  FOTOGRAFIA - SONHOS EM PRETO E BRANCO
por Ivan Claudio
Um labirinto foi montado no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro para o pblico brasileiro conhecer as diversas fases da obra do fotgrafo americano Roger Ballen, radicado na frica do Sul. A retrospectiva, intitulada Transfiguraes, Fotografias 1968-2012, cobre todo esse perodo de trabalho do artista e rene 111 fotografias em preto e branco. O conjunto, mostrado pela primeira vez na Amrica Latina, representa tanto a fase documental do fotgrafo quanto a tendncia ficcional que sua produo assumiu nos ltimos anos, ao misturar situaes reais e referncias onricas. Transfiguraes fica aberta at 2 de dezembro.


7.  EM CARTAZ  SHOWS - A PASSAGEM DO ZEPPELIN 
por Ivan Claudio
Aps 16 anos, o cantor ingls Robert Plant, que fez fama  frente da banda Led Zeppelin, retorna ao Brasil para uma turn que passar por seis cidades at o dia 29. Nesse intervalo, os longos cabelos loiros do vocalista tornaram-se grisalhos e sua voz afinada e aguda ganhou tons mais graves. Acompanhado de seu novo grupo, ?The Sensational Space Shifters?, ele mantm o status de mito e vai interpretar suas canes favoritas do blues e do rock and roll clssico, escolhidas entre o repertrio de mestres como Howlin? Wolf e John Mayall. No vai esquecer, obviamente, de sucessos de sua ex-banda, como ?Gallows Pole?, ?Black Dog?, ?Bron-Y-Aur Stomp? e ?Friends?.


8. EM CARTAZ  MSICA - AMOR COR DE ROSA 
por Ivan Claudio
Chama-se The Truth About Love (a verdade sobre o amor) o sexto CD da cantora americana Pink, que elegeu o relacionamento amoroso como tema da maioria das canes. Na faixa que d nome ao disco, ela canta que as revelaes sobre o casamento aparecem s trs da manh, quando voc acorda mal e pega uma caneta. Enquanto em outro refro ela comenta que no fundo o amor  uma grande mentira, na cano Here Comes the Weekend (com a participao de Eminem) estabelece que ainda assim  melhor passar o fim de semana acompanhada. A confuso de sentimentos parece ter agradado ao pblico, que mantm o lbum nas listas dos mais vendidos desde seu lanamento.


9. EM CARTAZ  AGENDA - KEITH JARRETT/ORQUESTRA PETROBRAS/61+46+17

Conhea os destaques da semana
por Ivan Claudio

KEITH JARRETT
 (Theatro Municipal, Rio de Janeiro, 24/10; Sala So Paulo, 29/10)
O pianista norte-americano apresenta o show An Evening of Solo Piano Improvisations e lana o CD Rio, gravado ao vivo no Brasil no ano passado
 
ORQUESTRA PETROBRAS
 (Igreja N. Sra. do Carmo, Rio de Janeiro, dia 28) 
O maestro Naotaka Tachibana rege a orquestra em peas de Rossini, Respighi e Mendelssohn
 
61+46+17
 (Ricardo Camargo Galeria, So Paulo, at 31/10)
Obras inditas de Lasar Segall, Victor Brecheret e Mira Schendel pontuam a seleo dessa mostra de raridades


10. ARTES VISUAIS - NOVO CAPTULO DA HISTRIA
Exposio tira do esquecimento a arte construtivista inglesa, colocando-a em paralelo com a arte concreta e neoconcreta brasileira
por Paula Alzugaray

Concretos paralelos/Cultura Inglesa  Centro Brasileiro Britnico, SP/ at 2/12/ Dan Galeria, SP/ at 4/12

EQUILBRIO INSTVEL - Tela de Wollner, que estudou com Lina Bo Bardi e se tornou um dos maiores nomes do design grfico brasileiro
 
Faz parte da histria da arte brasileira. Desde que o escultor suo Max Bill ganhou o prmio na primeira edio da Bienal de So Paulo, em 1951, com sua escultura Unidade Tripartida, o concretismo ganhou definitivamente terreno entre os artistas brasileiros. Conhecamos 
a nossa filiao para a objetividade do design e da arquitetura alem, e para o concretismo suo. O que no suspeitvamos era nosso parentesco com os ingleses. A exposio Concretos Paralelos, organizada em parceria entre a Cultura Inglesa e a Dan Galeria, em So Paulo, vem oportunamente contar esse captulo esquecido da histria. As duas exposies colocam lado a lado a produo de 19 artistas brasileiros e 14 britnicos, realizada entre 1955 e 1975, apresentando correspondncias insuspeitas e surpreendentes.

SP E RIO - Obra de Hercules Barsotti, que comeou sua produo em So Paulo e depois se integrou ao grupo carioca neoconcreto
 
As grandes inspiraes para esses 20 anos em que o mundo foi concreto foram a Escola Superior da Forma, de Ulm, na Alemanha, e a escola Bauhaus que, mesmo dissolvida pelo nazismo, em 1933, teve seus artistas, alunos e diretrizes espalhados por toda a Europa e boa parte da Amrica Latina, especialmente Brasil e Argentina. A Bienal de So Paulo nasceu no incio dos anos 1950 sob signo da abstrao geomtrica fomentada pela Bauhaus. Foi determinante para contribuir com sua institucionalizao e divulgao, influenciando artistas como Waldemar Cordeiro, Luiz Sacilotto, Lygia Pape e Milton Dacosta, que ganhou o prmio nacional de pintura na terceira Bienal. Os ingleses tambm participavam desse circuito e muitos vieram para as bienais, como Graham Sutherland, que ganhou o prmio de aquisio em 1955. Na bienal seguinte, o britnico Ben Nicholson esteve entre os premiados brasileiros Lygia Clark e Abraham Palatnik. E assim sucedeu at os anos 1970, com brasileiros e ingleses dividindo os pdios das bienais de So Paulo.

MUNDO CONCRETO - Obra de Anthony Hill, um dos britnicos na exposio em So Paulo
 
Porm, os artistas concretos britnicos nunca alcanaram a representatividade local e internacional que os brasileiros tiveram e foram relegados a um segundo plano. Hoje, seu papel est sendo revisto e a exposio em So Paulo marca esse movimento de resgate de um perodo que ficou obscurecido na histria da arte britnica. A mostra chamou a ateno de Nicholas Serota, diretor do Tate de Londres, que esteve em So Paulo na ocasio da abertura da 30 Bienal, em setembro. A publicao que ser editada tambm ajudar a marcar esse momento decisivo em que a arte brasileira serve de farol para iluminar o resto do mundo.


11. ARTES VISUAIS  ROTEIROS - RENASCIMENTO GRFICO
No sculo XV, as luzes da razo se acenderam por toda a Europa e o continente vislumbrou o florescimento de uma nova arte como h muito no se via
Nina Gazire 

LUZES DO NORTE/Desenhos e Gravuras do Renascimento Alemo/Museu de Arte de So Paulo (MASP), SP/ at 13/1/2013

No sculo XV, as luzes da razo se acenderam por toda a Europa e o continente vislumbrou o florescimento de uma nova arte como h muito no se via. O Renascimento, nome dado a esse perodo de resgate dos valores clssicos, foi um fenmeno que teve desdobramentos em diferentes pases europeus, por meio das mais variadas formas de manifestaes artsticas. Enquanto na Itlia e nos pases flamengos a pintura se tornou o carro-chefe, na Alemanha a especialidade foi a gravura. Segundo inmeros especialistas em histria da arte, o gravador Albrecht Drer, que realizou diversas viagens  Itlia para estudar a arte dos mestres florentinos, transformou sua cidade natal, Nuremberg, em um centro de referncia artstica, assim como Leonardo da Vinci fez com Florena. Alm disso, como Da Vinci, Drer compartilhava a qualidade de polmata: sabia um pouco de tudo. Era arquiteto e matemtico nas horas vagas e aperfeioou a tcnica da gravura em metal, criando um gnero que ganhou inmeros seguidores. 

A mostra Luzes do Norte rene no Masp 61 gravuras que fazem uma genealogia desse perodo prolfico da arte teutnica, partindo de alguns mestres que precederam Drer em um sculo at a produo maneirista que o seguiu durante o sculo XVI. As gravuras vieram diretamente do acervo do Museu do Louvre e pertenceram ao baro Edmond Rothschild, um dos maiores colecionadores de arte grfica na Europa. Entre os destaques, est o O Rinoceronte (foto), xilogravura de 1515, a primeira de uma srie dedicada aos animais, realizada por Drer ao longo de sua vida. 

Alm das 61 obras, esto expostas duas telas do acervo do Masp que tambm pertencem ao perodo do Renascimento alemo  o retrato a leo O Poeta Henry Howard, de 1542, de Hans Holbein, o Jovem, e Retrato de Jovem Aristocrata, de 1539, de Lucas Cranach, o Antigo. Ambos os artistas, apesar de usarem a tcnica a leo, do continuidade  tradio do retrato, iniciada por Albrecht Drer no incio do sculo XVI.

